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ATELIÊ INÚTIL (EM PROCESSO)
Este projeto autoral, ainda em construção, explora, por meio da arte têxtil, questões relacionadas ao valor da arte (simbólico e material), ao tempo do fazer manual, aos desafios da vida artística e da vida cotidiana. Cada obra reflete indagações que atravessam o processo criativo e o ofício do artista, valorizando o gesto, o tempo e a experiência do fazer artesanal.

Um retângulo de tecido cru com texto bordado em linha preta, com estilo de escrita à mão. O texto poético lê: "Pra quê? Serve? Arte. Quanto vale? Quanto custa? Quanto vale a vida de uma artista? De uma artesã? De uma mulher?".

Meu fazer leva tempo, muito tempo. Tempo de monotonia muitas vezes, com seus silêncios abismais (tema recorrente), mas também com ruídos externos e internos. 

"A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece.

(...)

A experiência, a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção, um gesto que é quase impossível nos tempos que correm: requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que acontece, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço." (Jorge Larossa, em Tremores: Escritos sobre a Experiência, 2014) 

Esta obra é composta por três telas verticais de 30 por 40 centímetros cada, dispostas lado a lado, bordadas em tons de bege, marrom, cinza, azul marinho e preto. A composição de cada tela é abstrata geométrica, e o bordado cobre toda a superfície, exceto pelas margens em tom de bege. 
A primeira tela reúne formas orgânicas arredondadas e pontiagudas que transmitem um ritmo ao mesmo tempo fluido e caótico. A segunda é construída predominantemente com linhas retas e ziguezagues, evocando dureza e aspereza. A terceira retoma as formas orgânicas, agora mais arredondadas que na primeira tela, criando a sensação de ondulações como as de um líquido em movimento.

 

Tríptico Impressões sobre a Monotonia, 2025

Anotação bordada:  
Um retângulo de tecido cru com texto poético bordado em linha escura, com estilo de escrita à mão, lê: "Um dilema: Dilema bordado. Arte: Vendo ou Venda? Paradoxo. Devo parar? Me calar?".
A obra é composta por três telas verticais de 20 por 30 centímetros, dispostas lado a lado. Cada tela é preenchida por bordado em linhas verticais finas e paralelas, em tom de bege e preto, criando uma textura uniforme e densa que cobre toda a superfície (exceto pelas margens em tom de bege). 
Na tela da esquerda, sobre a superfície bordada em bege, há um retângulo preto horizontal ocupando a região central superior, representando uma venda. Na tela do centro, a imagem é dividida por uma diagonal, com um grande triângulo bege acima e à esquerda, e um grande triângulo preto na metade inferior-direita. Na tela da direita, sobre a superfície bordada em bege, há um retângulo preto horizontal ocupando a região central inferior, representando uma mordaça.

 

Tríptico Dilema Bordado, 2025

"Ela não sabia explicar por que sorria tanto, disse; não era como se sentia, era como seguia em frente" (Will Gompertz sobre Alice Neel, 2023, p. 179)

Quem dita as regras?
A obra é vertical e estrutura-se em duas partes. A superior é uma tela de 30 por 40 cm quase inteiramente coberta por bordado em fios pretos verticais, criando uma superfície escura e texturizada. Pendurada na borda inferior da tela, há uma sacola de tecido de algodão azul royal com bolinhas brancas; na face frontal da sacola, a palavra "MERCADO" aparece bordada verticalmente, com letras maiúsculas. Da alça dessa sacola, pende uma etiqueta bordada em vermelho e bege, sobre tecido de algodão cru, com o texto: "Cheio de NADA". 
Duas linhas vermelhas mais grossas saem dessa superfície preta, percorrendo verticalmente a área mais à esquerda da tela, e ultrapassando sua borda inferior. Na ponta desses fios, estão duas etiquetas bordadas nas cores vermelho e azul marinho, sobre tecido de algodão cru, com os textos: "Quanto custa?", "Quanto vale?".

 

Quem dita as regras, 2026

A obra, bordada nas cores azul, marrom e rosa, sobre retalho de tecido de algodão cru, é apresentada em duas vistas simultâneas, frente e verso, dispostas lado a lado.
Na frente, o texto bordado com estilo de escrita à mão, lê: "Verso bonito, Verso feio. Escondo o verso? Contra o avesso ao verso, eu verso o controverso."
No verso da obra, aparecem os nós, as travessas e os fios que sustentam o bordado no avesso do trabalho têxtil.

Continua em processo...

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