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Coragem. E ponto.



Se quiser, senta... Vem informação chocante, quente, em primeira mão. Quanto à relevância, bom... Tenho dúvidas, e elas me movem.


Existem coisas que acho que só os botecos oferecem pra você. Sabe esses botecos de São Paulo que servem pão na chapa, café, bolovo e croissant, bebidas pra acordar e pra dormir, arroz com macarrão com feijão com farofa (adoro! há quem não)? Não imagino nem São Paulo nem a vida sem eles.


A história se deu num desses, e num desses na Lapa.


Depois de tentar café de qualidade duvidosa numa máquina que me recusou, como faz comigo dia-sim-dia-não, hoje eu, desiludida e cansada, fui num botecoso desses, e quer saber, ousei: pedi um capuccino.


Ousei mais! Eu disse pra moça: "mas faz mais fraco de café, não gosto de café forte".


Me surpreendi quando ela se surpreendeu. Pensei ser ousadia demais pedir um capuccino com pouco café na Lapa.


Mas aí ela:

- No capuccino não vai café!!!


Meu mundo abriu-se em fenda. Caí. Falou com tanta certeza que tive uma vertigem. Milésimos de segundos colocaram em questão 40 anos da minha existência. Fiquei envergonhada de tamanha falta de saber da minha parte, quase pedi desculpas. Depois ousei de novo, talvez seja do meu temperamento:


- O que vai então?


Ela achou que eu não ouvia bem:

- Não vai café!!!


Eu olhei pra ela. Ela não teve dúvidas, repetiu: "NÃO VAI CAFÉ!"


Meu cérebro em pedaços. Rodei, rodei, rodei, olhei de novo, estava no mesmo lugar. Desconcertada. Esqueci meu português, não tinha uma letra disponível pra formar palavra. De repente, c-a-f-é e c-a-p-u-c-c-i-n-o já não faziam mais nenhum sentido pra mim.


No que me recompus (quase), perguntei novamente, petulante por dentro, gentil por fora (acho... a gente sempre acha):


- Mas o que vai no capuccino?


Não sei quem desacreditava mais, se ela ou eu.


Ela respondeu:

- Pó!


Pó. Vai pó. E ponto.


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